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Quedas na Fibromialgia: não é falta de cuidado, é o corpo desregulado

há 34 minutos
3 min de leitura
Pessoa com fibromialgia tem mais quedas
A queda na fibromialgia não decorre de descuido: resulta de alteração na integração dos sinais de equilíbrio (visual, vestibular e proprioceptivo), agravada por fadiga, sono não reparador e medo de cair.

A fibromialgia é uma condição de dor crônica generalizada, frequentemente acompanhada de fadiga, sono não reparador, alterações cognitivas — conhecidas como névoa mental ou “fibro fog” — e sofrimento emocional. O diagnóstico é clínico, realizado por profissional de saúde, e não depende de exames de imagem ou laboratoriais isolados. Os critérios revisados de 2016 consideram a distribuição da dor e a gravidade dos sintomas.


Por que pessoas com fibromialgia podem cair mais

Estudos sugerem que pessoas com fibromialgia podem apresentar maior risco de quedas. Em uma pesquisa, 34 participantes relataram 37 quedas ao longo de seis meses, enquanto 32 pessoas saudáveis relataram seis. Outro levantamento encontrou queda em aproximadamente 45% dos participantes. Esses números devem ser interpretados com cuidado, pois variam conforme a amostra, a idade, os medicamentos e a definição utilizada em cada estudo.

O risco não parece estar relacionado apenas à dor. Alterações na integração dos sinais visuais, vestibulares e proprioceptivos podem dificultar a manutenção do equilíbrio. Um estudo comparativo com pessoas com dor lombar crônica também sugeriu que o desequilíbrio pode ser mais acentuado na fibromialgia, embora sejam necessárias mais pesquisas para compreender completamente esse mecanismo.


Processamento sensorial alterado

A propriocepção — percepção da posição do próprio corpo — pode estar prejudicada. Alterações na propriocepção cervical foram associadas a pior estabilidade postural em alguns estudos.

Tontura e instabilidade também podem ocorrer. Em parte das pessoas, esses sintomas aparecem associados a disautonomia, enxaqueca ou outras condições que precisam ser avaliadas individualmente. A integração visual pode igualmente estar alterada, dificultando a correção rápida do equilíbrio.


Sensibilização central

Na sensibilização central, o sistema nervoso pode amplificar a percepção de estímulos. Isso pode contribuir para alterações posturais mesmo em pessoas que não usam medicamentos sedativos, sugerindo que a sedação não explica sozinha o risco de quedas.


Fadiga e sono não reparador

A fadiga e a privação de sono podem reduzir o tempo de reação, a atenção e a resistência durante a marcha.


Cognição e “fibro fog”

Déficits de atenção e lentidão no processamento de informações podem aumentar a dificuldade de lidar com obstáculos, mudanças de direção e ambientes pouco iluminados.


Como reduzir o risco de quedas

Avaliação profissional

Quedas repetidas, tontura ou perda de equilíbrio merecem avaliação médica. O profissional pode revisar medicamentos, investigar alterações visuais ou vestibulares e encaminhar para fisioterapia. Registrar a data, o local, as circunstâncias e os sintomas de cada episódio ajuda nessa avaliação.


Segurança em casa

  • Retire tapetes soltos, fios e objetos das áreas de passagem.

  • Melhore a iluminação, especialmente no trajeto entre o quarto e o banheiro durante a noite.

  • Instale barras de apoio junto ao vaso sanitário e no box, quando indicado.

  • Use tapete antiderrapante e, se necessário, cadeira de banho.

  • Prefira calçados firmes, confortáveis e com sola antiderrapante.

  • Evite andar de meias em pisos lisos.

  • Mantenha objetos de uso frequente ao alcance, sem usar escadas ou banquinhos.


Exercício e equilíbrio

Com orientação profissional, programas que combinam força, atividade aeróbica e treino de equilíbrio podem ajudar a reduzir o risco de quedas. Alguns estudos encontraram redução aproximada de 25% em determinados programas, e o Tai Chi também apresenta resultados positivos em algumas populações. A frequência e a intensidade devem ser adaptadas à condição de cada pessoa.


Apoio na rotina

Dividir tarefas domésticas, oferecer companhia em deslocamentos cansativos e respeitar pausas pode ser mais útil do que exercer vigilância. O pacing — alternar atividade e descanso, respeitando os limites do corpo — faz parte do manejo dos sintomas e não deve ser confundido com preguiça.


Informação gera compreensão, e compreensão combate o preconceito: pessoas com fibromialgia precisam de acolhimento, não de julgamentos.

 
 
 

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